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BAZIN – Montagem Proibida e O Realismo Cinematográfico

Os textos a serem analisados são Montagem Proibida e O Realismo Cinematográfico E A Escola Italiana Da Liberação, ambos de Andre Bazin em seu livro O Cinema – Ensaios. Como forma metodológica do desenvolvimento desse texto, será apresentada a idéia principal de cada texto, e assim desenvolver o raciocínio indicado por Bazin.

A começar pelo texto Montagem Proibida, no qual o autor parte do principio a definir a lei estética do ‘realismo’, no qual o que deve ser respeitado é a unidade espacial do acontecimento: “Quando o essencial de um acontecimento depende de uma presença simultânea de dois ou mais fatores da ação, a montagem fica proibida”; e/ou, em um plano deve reunir os elementos que anteriormente foram dispersos pela montagem.

Ainda que esse princípio possa parecer obscuro, ele é muito simples, onde, mesmo se utilizando da narrativa clássica, que mesmo sabendo que se trata de truques, para que possamos acreditar na realidade dos acontecimentos e autenticá-la, um plano deve reunir todos os elementos anteriores. Um exemplo utilizado por Bazin para ilustrar esse principio, é a famosa cena da caça à foca de Nanook, o esquimó, no qual Flaherty mostra num mesmo plano, o caçador, o buraco e a foca. Mesmo se anteriormente cada elemento fosse mostrado separadamente, somente após todos serem mostrados juntos num único plano, é que poderemos acreditar na realidade do acontecimento.

Sendo assim, mesmo Bazin não indicando como conclusivo, fechar essa linha de pensamento se faz necessário, definindo a especificidade do cinema, não mais sendo a montagem, mas sendo o respeito fotográfico da unidade do espaço.

Já em seu texto O Realismo Cinematográfico E A Escola Italiana da Liberação, podemos ter como ponto de partida a idéia de que “a necessidade do relato é mais biológica do que dramática. Ela brota e cresce com a verossimilhança e a liberdade da vida”, que mesmo parecendo inicialmente inocente, nessa indicação contem vários dos tópicos abordados por Bazin ao longo do texto.

“A necessidade do relato é mais biológica…” – Bazin inicia seu texto contextualizando o cinema italiano historicamente, e apontando Rossellini, Lattuada e Blasetti como alguns dos cineastas precursores dessa escola italiana de cinema, situando o momento pós-guerra nessa busca pelo realismo/realidade/real, na fuga do cinema não-realista que remetia ainda ao nazismo.

“… do que dramática…” – a atualidade do roteiro e a verdade do ator são apontadas como sendo a matéria-prima da estética do filme italiano, a utilização indiferente de atores profissionais e atores ocasionais auxiliava tanto a mise-en-scène quanto o ator penetrar em seu personagem.

“… Ela brota e cresce com a verossimilhança…” – entendamos realista todo sistema de expressão, todo procedimento de relato propenso a fazer aparecer mais realidade na tela. Criar a ilusão do real é a forma que a arte encontra para expressar seu realismo, procedente através de artifícios, em cinema, desde, principalmente, do cinema falado, há uma busca de dar ao espectador uma ilusão tão perfeita quanto possível da realidade.

“… e a liberdade da vida.” – Será sempre preciso sacrificar alguma coisa da realidade à realidade, isso porque, através da evolução tecnológica, o cinema adapta seus recursos à forma de captar essa realidade. Em seu tempo, por falta de equipamentos técnicos, os sons e os diálogos eram incorporados ao filme posteriormente, causando perda do realismo, mas ao mesmo tempo, como não havia uma subordinação ao microfone, a câmera se viu livre para brincar e estender seu campo de ação, aumentando seu grau de realidade.

Enfim, através de roteiros originais baseados em fatos sociais e sua direta realidade/atualidade, com personagens complexos, no qual ganham uma verdade perturbadora na tela através de sua mise-en-scène o cinema italiano representa um humanismo revolucionário e uma realidade que raramente o cinema se aproximou.

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